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Dois ideogramas definem o conceito dessa palavra. “E” de desenho e “HON” de livro. Existem ehons só imagens, mas a maior parte integra palavras e imagens. Com narrativas, brincadeiras ou poesias, estes livros privilegiam o lúdico e o imaginário, apesar de existirem ehons didáticos.

Percorrendo a história, chegaremos ao emaki que associava pinturas e palavras em um rolo. Na era Muromachi (1336 a 1573), os romances em emaki eram bastante apreciados pela população.


ver antigos emakis
Já no início da era Edo (1603 a 1867), começam a surgir os ehons encadernados em formato de livros e tornam-se bastante populares, aproximando-se também das crianças. Antes pintados manualmente, passam a ser impressos em gravuras de madeira, possibilitando assim muitas cópias. Os livros de capa vermelha traziam lendas ou histórias antigas, principalmente para o público infantil. E ehons de capa preta eram mais dirigidos para roteiros de peças de kabuki, fatos históricos, biografias de heróis, etc.




No início da era Taisho (1912 a 1926), surgiram nomes importantes de doowa (literatura para crianças) e dooga (pintura para livros de crianças), que mantém uma estreita relação com os ehons. Atualmente, esse é um mercado amplo, com imensa variedade de obras nacionais e estrangeiras

Ehons produzidos entre 1960 e 1990. No alto, ehon de Chihiro Iwasaki, a partir do conto Sapatinhos vermelhos, de Andersen.
— e um espaço à parte nas livrarias. Apesar de o público-alvo ser formado por crianças, muitos adultos adquirem ehons dos seus autores preferidos para coleção, pois vêm em capa dura com acabamento gráfico precioso. Os pais adquirem esses livros ilustrados para os filhos, desde bebês, com o intuito de entreter, incentivar a imaginação e proporcionar um contato com o objeto livro e despertar a sensibilidade.

Nos dias de hoje, é comum o ehon ter, como autor, aquele que desenha, cria a história, ou monta um roteiro. Existem revistas só para falar de ehons, com comentários, críticas, entrevistas de autores nacionais e estrangeiros, assim como exposições dos originais e mostras que vem do exterior. Nas escolas voltadas àqueles que aspiram a essa carreira, os alunos recebem aulas de desenho, roteiro e, principalmente, aprendem a trabalhar a relação palavra-imagem.

Baseado nesses ehons, um bom livro ilustrado não se sustenta apenas com grandes efeitos de técnica. É preciso um bom desenho, um bom texto e uma boa montagem. Como uma expressão artística, em que o livro é o suporte, deve-se considerar a virada das páginas, a seqüência, o fluxo e o ritmo das imagens e como estes se relacionam com as palavras.